Introdução. Ensaios clínicos recentes indicam que o interferão (IFN)-a2b recombinante parece ser útil na forma exacerbação-remissão (ER) da esclerose múltipla (EM). 70% dos doentes com EM em Cuba apresentam disfunção cognitiva. Objectivo. Avaliar a eficácia do IFN-a2b nas perturbações cognitivas da EM. Doentes e métodos. 57 doentes com EM-ER clínica definida e RM+, do ensaio clínico em Cuba, fase III, multicêntrico, aleatorizado, duplamente oculto e controlado com placebo. Os doentes foram distribuídos em: grupo I, 10 milhões (MI) de UI de IFN-a2b (Heberon-R ®) intramuscular; o grupo II, 3 MI IFN-a2b, e o grupo III placebo, duas vezes semanal, durante dois anos. As avaliações foram feitas em ocultação, no início e no final, através de: escala neuropsicológica de Luria, Benton visual retention test, escala verbal WAIS-R (Weschler adult intelligence-revised) e PASAT-3 (paced auditory serial addition test). A detecção de anticorpos neutralizantes (ACN) ao IFN-a2b, realizou-se semestralmente.
Resultados Os resultados iniciais entre os grupos não demonstraram diferenças significativas entre as variáveis demográficas, clínicas e de incapacidade. Os resultados do Luria foram: placebo [inicial (I)/final (F)] 2,85 ± 1,66/2,90 ± 1,97 (p = 0,723); IFN-a2b 3 MI (I/F): 2,50 ± 1,34/1,39±1,85 (p = 0,029); IFN-a2b 10 MI (I/F): 3,22 ± 1,69/2,17 ± 11,50) (p = 0,006). Juntando os dois grupos IFN a2b contra placebo (p = 0,021 contra 0,367). No Benton foram: placebo (I/F): 5,15 ± 11,76/5,05 ± 2,11 (p = 0,893); IFN-a2b 3 MI (I/F): 5,50 ± 1,110/6,22 ± 1,31) (p = 0,047); IFN-a2b 10 MI (I/F): 4,67 ± 1,85/5,78 ± 1,35 (p = 0,005). Ao unir os grupos IFN-a2b contra o placebo (p = 0,181 contra 0,440). No teste WAIS encontrou-se placebo (I/F): 5,25 ± 1,25/5,05 ± 1,57 (p = 0,354); IFN-a2b 3 MI (I/F): 5,17 ± 1,34/6,06 ± 1,21 (p = 0,022); IFN-a2b 10 MI (I/F): 4,56 ± 1,38/5,39 ± 1,29 (p = 0,007). A comparação dos grupos IFN-a2b frente ao placebo (I/F) p = 0,026 frente 0,216. Os resultados do PASAT-3, placebo (I/F): 44,55 ± 10,86/41,95 ± 13,74 (p = 0,655); IFN-a2b 3 MI (I/F): 45,72 ± 10,61 (p = 0,015); IFN-a2b 10 MI (I/F): 42,67 ± 111,04/48,72 ± 8,84 (p = 0,003). A comparação dos grupos IFN perante o placebo, com o PASAT-3 (p = 0,033 contra 0,621). Os ACN ao IFN-a2b foram detectados em 3,5% dos casos. Conclusões. O IFN-a2b melhora as alterações cognitivas na EM-ER. Esta melhoria é dose-dependente e com muito baixa frequência de ACN.
CategoriasEsclerosis múltiple
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